SBT lança "Amor e Revolução", que retrata a época da ditadura militar no Brasil

23-03-2011 23:58

por Thiago Stivaletti, publicado originalmente no UOL Televisão

Fotos: Lourival Ribeiro (SBT)

 

Num saguão no terceiro andar do Centro Universitário Maria Antônia, em São Paulo, o SBT fez nesta quarta-feira o lançamento de sua novela “Amor e Revolução”, a primeira a ter como pano de fundo os anos de chumbo da ditadura militar.

Para exibir ao final de cada capítulo, a emissora gravou depoimentos de militantes de esquerda como José Dirceu e Luiz Carlos Prestes Filho (a presidente Dilma Rousseff recusou o convite). Mas nenhum militar ou apoiador do regime aceitou até agora gravar seu depoimento, segundo o autor Tiago Santiago (o mesmo da novela “Os Mutantes”). “Tentamos falar com Delfim Neto, Jarbas Passarinho, Nilton Cruz e outros, mas ninguém aceitou”, conta.

Santiago recebeu um e-mail da mulher do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi (órgão de repressão à luta armada) de 1970 a 1974, criticando a proposta da novela. O autor convidou Ustra a depor, mas o coronel recusou, alegando ter medo de ter seu discurso alterado na edição. O próximo passo é oferecer a Ustra e outros ex-militares a possibilidade de ver e aprovar seus depoimentos editados antes de ir ao ar.

“O espaço do depoimento na novela não é só da esquerda, está aberto a todos os segmentos da sociedade. Quem se sentir prejudicado, pode nos procurar que terá o mesmo espaço para responder”, disse na coletiva o diretor Reynaldo Boury.

 

 

“Amor e Revolução”, que estreia no dia 5 de abril, contará a história de amor entre Maria Paixão (Graziella Schmitt), uma líder do movimento estudantil, e José Guerra (Cláudio Lins), um capitão do Exército que discorda dos rumos da ditadura. O elenco reúne ex-estrelas da Globo como Lúcia Veríssimo, Isadora Ribeiro, Luciana Vendramini, Jayme Periard e Cláudio Cavalcanti.

Em 1995, Santiago ofereceu a sinopse à Globo que recusou – três anos antes, a emissora tinha exibido a minissérie “Anos Rebeldes”. “Essa seria a minha próxima novela na Record, mas acabei vindo para o SBT e o projeto deu certo aqui”, diz Santiago. Ao contrário de sua novela anterior, “Uma Rosa com Amor”, que estreou com 100 capítulos gravados, “Amor e Revolução” tem até agora só 40 capítulos escritos e 24 gravados. Com isso, o SBT vai fazer pela primeira vez as pesquisas de opinião com espectadores –para saber, por exemplo, se o público está achando muito violentas as cenas de tortura. “Mas como é o horário das 22h15, acho que podemos apostar em algumas cenas mais fortes”, diz o autor.

Filha mais velha de Silvio Santos, Daniela Beyruti, diretora artística do SBT, se mostrou desinformada. Não soube responder sobre os custos da novela e sobre os rumos da produção. Apenas se limitou a negar que as cenas de tortura que vazaram na internet tenham sido uma ação de marketing da própria emissora para divulgar a novela. “Eu não estava na emissora quando isso aconteceu. Há muitas fitas gravadas, às vezes acontece essa falta de controle. Investigamos, mas não descobrimos nada. É o mesmo que acontece com as fontes que falam com vocês jornalistas –é impossível achar essas pessoas”, afirmou.