"O que vem por aí, ainda é mais ousado", diz Giselle Tigre sobre personagem de "Amor e Revolução"

30-05-2011 00:37

por Roseane Santos, publicado na CONTIGO! ONLINE

 

“O que vem por aí, ainda é mais ousado”, diz Giselle Tigre à Contigo! Online

'“Ui!”, foi essa expressão que veio a cabeça de Giselle Tigre quando ela leu que iria beijar a boca de Luciana Vedramini na novela Amor e Revolução do SBT.  Passado o primeiro impacto, ela fala que abstraiu totalmente o susto pela cena e revela que está preparada para o que der e vier.  Aos 38 anos, casada há oito e mãe de Maria, de 5 anos, a atriz se mostra forte e não pensa duas vezes antes de expor suas opiniões. Ela conversou com Contigo! Online, em no intervalo de um evento, sempre muito firme nas palavras. Ela foi enfática ao discordar da exposição dos vídeos que o Ministério da Educação colocaria em campanha contra a homofobia nas escolas, onde eram exemplificadas relações bi e homossexuais.  “Acho um absurdo. Essas coisas têm que ser discutidas em casa. Se desejamos educar alguém não será usando esse viés”, fala.


O público conheceu Gisele em Malhação, na TV Globo, e depois ela só apareceu em algumas participações em novelas e seriados. Afastada um tempo da televisão, se dedicou a família e também concluiu a faculdade de jornalismo. Quando acabar de gravar a trama de Tiago Santiago, ela pretende voltar ao teatro com a peça infantil Agora é Tempo, que contracena com sua filha e conta com os cenários elaborados pelo seu marido, o artista plástico Gemmal. “É a família toda reunida”, alegra-se.


Contigo Online: Quando leu que iria dar o primeiro beijo gay na história das telenovelas, não sentiu aquele “friozinho” na barriga?

Giselle Tigre: Nossa não vou mentir. Quando eu vi, eu pensei logo “Ui! nossa que cena ousada e agora, como é que vai ser?”.  Eu falei com a Lu e aí? Vamos fazer?  E começou o ti ti ti, todo mundo a falar, até os atores da novela vieram falar com a gente e perguntavam se sabíamos que era o primeiro beijo gay na TV.  Até então, eu nem tinha muita noção de que essa cena nunca tinha sido realizada.  Talvez eu soubesse, mas não tinha muita certeza.  Depois quando fui vendo a repercussão e a imprensa atrás da gente que foi caindo a ficha. Só que com um tempo, eu abstrai totalmente. O que estiver escrito daqui para frente, estamos preparadas. Achei o beijo lindo, ousado e super pertinente em uma novela que já é polêmica por falar na ditadura.

Contigo Online: Chegou a pensar que seria só um selinho?

GT: Não.  A idéia do Thiago Santiago é mostrar o envolvimento de uma mulher que é hetero com sua melhor amiga que é homossexual assumida, ou pelo menos, assumida para ela mesma, por que na época não se poderia assumir. Todas as minhas cenas com a Luciana têm muita sedução e o beijo acabou sendo a concretização da história, mas o que vem por aí ainda é mais ousado.


 Contigo Online: Então poderá também ter uma cena delas fazendo amor?

GT: Provavelmente sim. Eles querem fazer isso.


 Contigo Online : E como foi o dia seguinte da cena ?

GT: Todo mundo me ligando e muita mensagem na internet. Eu me surpreendi por que eu tomei consciência de uma causa, que não é a minha, por que sou heterossexual, casada e com uma filha.  Eu me coloquei na pele de uma pele que tem uma vida amorosa clandestina, se é que posso falar assim. Imagina ter uma pessoa que você ama e não poder apresentar? Imagina ter um plano de saúde e não poder colocar essa pessoa? É muito importante que essas pessoas se vejam retratadas na novela, por que fazem parte de uma parcela significativa da população.


Contigo Online: Você tem uma filha de cinco anos. Concordou com aquela campanha que colocaria vídeo nas escolas exemplificando as escolhas sexuais? Acharia pertinente?

GT: Eu li a respeito e achei um absurdo. Eu acho que as pessoas precisam conversar é em casa e ter mais abertura para se falar sobre isso, por que faz parte da vida. Não é negando as coisas que elas irão parar de existir. Acho que se querem educar as pessoas devem começar por outro viés e não por aí.

 
Contigo Online: E seu marido, o que achou da cena do beijo?

GT: Levou tudo numa boa, achou o máximo. Viu a cena e elogiou. Ele fala que as pessoas e os amigos mexem com ele no meio da rua e ele ri. Afinal, amanhã eu posso fazer uma louca, uma psicopata e aí?  Isso faz parte da nossa vida. Os atores carregam isso com a gente.  As pessoas me perguntam se eu não tenho receio de ficar conhecida como a primeira mulher que deu um beijo gay. Isso para mim não é um rótulo. É um marco. Que bom que um personagem que fiz fez história.